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21 março 2009

Neste Dia Mundial da Poesia...

Canto...
No te amo como se fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,

sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tu ojos con mi sueño.
Do magnífico Pablo Neruda, neste Dia Mundial da Poesia, que celebra também a nossa diversidade linguística.

01 dezembro 2008

Sul-estício

“Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida
mas a poesia (inexplicável) da vida”
Hoje com Carlos Drummond de Andrade, em busca de suis. Palavra que soa feio em português, mas que podemos ler como em francês: condensando... Um eu a ser a sul!

20 novembro 2008

Caminos

Do espanhol António Machado:
Caminante, son tus huellas el camino y nada más;
Caminante, no hay camino, se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino sino estelas en la mar.

08 agosto 2008

Pé em poema

minha erguida cidade ou tarde de cacimbo:
vem torturar-me o incansável pé: repito de pé
sempre que deixo a cama da perversão.
(poema "Saudável saudação" de João Maimona, um dos mais brilhantes poetas angolanos da actualidade)

04 agosto 2008

Alexandre

Confesso que nunca consegui ler Arquipélago Gulag. Tal como algumas outras grandes e pequenas obras da literatura pelo mundo publicadas, não me levou a passar das primeiras páginas.
Alexander Soljenisyne, o seu autor, preso nos campos de concentração da antiga URSS e Nobel da Literatura, morreu.
É recordado por muitos como um dissidente e crítico do comunismo. Mas, na minha opinião, a sua crítica e o seu sofrimento basearam-se no reinado estalinista que de comunismo nada teve.

23 maio 2008

África do Sul


Nos últimos dias, as notícias que chegam da longínqua África do Sul dizem-nos que a espiral de violência xenófoba não pára. Já são milhares os mortos, feridos e deslocados vítimas das acções dos "legitimamente" (seja lá o que isso for) sul-africanos contra emigrantes moçambicanos e de outros países africanos vizinhos.
Há pouco tempo, li um livro do senhor da foto, J. M. Coetzee, prémio Nobel de literatura sul-africano: Desgraça. Com uma escrita demasiado seca, sem curvas melodiosas dos sonhos das palavras poéticas, impressionou-me pela construção das vidas após o sofrimento, após a violação, após o despedimento, numa sociedade marcada pelas relações tensas entre brancos e negros, entre donos da terra e explorados.
Não é o meu livro preferido dele, mas veio-me à memória agora.

21 março 2008

Pé de poesia

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia. A minha partilha é um poema de Rudyard Kipling:

Boots

INFANTRY COLUMNS
We're foot--slog--slog--slog--sloggin' over Africa --
Foot--foot--foot--foot--sloggin' over Africa --
(Boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again!)
There's no discharge in the war!
Seven--six--eleven--five--nine-an'-twenty mile to-day --
Four--eleven--seventeen--thirty-two the day before --
(Boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again!)
There's no discharge in the war!
Don't--don't--don't--don't--look at what's in front of you.
(Boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again);
Men--men--men--men--men go mad with watchin' em,
An' there's no discharge in the war!
Try--try--try--try--to think o' something different --
Oh--my--God--keep--me from goin' lunatic!
(Boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again!)
There's no discharge in the war!
Count--count--count--count--the bullets in the bandoliers.
If--your--eyes--drop--they will get atop o' you!
(Boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again) --
There's no discharge in the war!
We--can--stick--out--'unger, thirst, an' weariness,
But--not--not--not--not the chronic sight of 'em --
Boot--boots--boots--boots--movin' up an' down again,
An' there's no discharge in the war!
'Taint--so--bad--by--day because o' company,
But night--brings--long--strings--o' forty thousand million
Boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again.
There's no discharge in the war!
I--'ave--marched--six--weeks in 'Ell an' certify
It--is--not--fire--devils, dark, or anything,
But boots--boots--boots--boots--movin' up an' down again,
An' there's no discharge in the war!

18 janeiro 2008

Pegadas


Your foot prints track where you've been and where you are headed.
Your hands express the curiosity and desire to explore all that is new.
Your heart holds true to who you've loved and who may be lucky,
to be loved by you.
Your eyes express the beam that shines from your innocent angel soul.

How I wish my foot prints were tracking me towards you on your first birthday.
How I wish my hands could lift you up and watch you through your explorations.
My heart has been blessed because you were born, and I have been lucky to be loved by you.
My eyes shine at the thought of being a witness to your precious life.

Poema do iraniano Negin Farrah Shapourian, tirado de http://www.poemhunter.com/poem/foot-prints/

06 dezembro 2007

Pezinhos de lã

O primeiro amor chegou com pezinhos de lã.

Não o ouvi nem o vi chegar. Invadiu-me pouco a pouco e morou em mim antes de lançar a sua flecha de Cupido na minha consciência. Antes de eu ter tempo de me aperceber da sua presença. Antes de isolar essa presença como tal, antes de a confessar a mim própria.

Rauda Jamis, Frida Kahlo: Auto-Retrato de uma Mulher

23 outubro 2007

Os pés também servem para dançar


A Drunken Man's Praise Of Sobriety

Come swish around, my pretty punk,
And keep me dancing still
That I may stay a sober man
Although I drink my fill.

Sobriety is a jewel
That I do much adore;
And therefore keep me dancing
Though drunkards lie and snore.

O mind your feet,
O mind your feet,
Keep dancing like a wave,
And under every dancer
A dead man in his grave.

No ups and downs, my pretty,
A mermaid, not a punk;
A drunkard is a dead man,
And all dead men are drunk.

William Butler Yeats

12 outubro 2007

Poema com pés


AL PIE DESDE SU NIÑO


EL pie del niño aún no sabe que es pie,
y quiere ser mariposa o manzana.

Pero luego los vidrios y las piedras,
las calles, las escaleras,
y los caminos de la tierra dura
van enseñando al pie que no puede volar,
que no puede ser fruto redondo en una rama.
El pie del niño entonces
fue derrotado, cayó
en la batalla,
fue prisionero,
condenado a vivir en un zapato.

Poco a poco sin luz
fue conociendo el mundo a su manera,
sin conocer el otro pie, encerrado,
explorando la vida como un ciego.

Aquellas suaves uñas
de cuarzo, de racimo,
se endurecieron, se mudaron
en opaca substancia, en cuerno duro,
y los pequeños pétalos del niño
se aplastaron, se desequilibraron,
tomaron formas de reptil sin ojos,
cabezas triangulares de gusano.
Y luego encallecieron,
se cubrieron
con mínimos volcanes de la muerte,
inaceptables endurecimientos.

Pero este ciego anduvo
sin tregua, sin parar
hora tras hora,
el pie y el otro pie,
ahora de hombre
o de mujer,
arriba,
abajo,
por los campos, las minas,
los almacenes y los ministerios,
atrás,
afuera, adentro,
adelante,
este pie trabajó con su zapato,
apenas tuvo tiempo
de estar desnudo en el amor o el sueño,
caminó, caminaron
hasta que el hombre entero se detuvo.

Y entonces a la tierra
bajó y no supo nada,
porque allí todo y todo estaba oscuro,
no supo que había dejado de ser pie,
si lo enterraban para que volara
o para que pudiera

ser manzana.

Pablo Neruda

29 setembro 2007

Cabo Verde não é o meu próximo destino insular, mas fica a sugestão amiga de uma quadra com pés:

Cape Verde
I walked the shores of Cape Verde
On my bare feet
The sea water of Cape Verde
Washed my bare feet

Aldo Kraas

28 setembro 2007

Poema com pés

The Feet of Judas, de George Marion McClellan

CHRIST washed the feet of Judas!
The dark and evil passions of his soul,
His secret plot, and sordidness complete,
His hate, his purposing, Christ knew the whole,
And still in love he stooped and washed his feet.
Christ washed the feet of Judas!
Yet all his lurking sin was bare to him,
His bargain with the priest, and more than this,
In Olivet, beneath the moonlight dim,
Aforehand knew and felt his treacherous kiss.
Christ washed the feet of Judas!
And so ineffable his love ’twas meet,
That pity fill his great forgiving heart,
And tenderly to wash the traitor’s feet,
Who in his Lord had basely sold his part.
Christ washed the feet of Judas!
And thus a girded servant, self-abased,
Taught that no wrong this side the gate of heaven
Was ever too great to wholly be effaced,
And though unasked, in spirit be forgiven.
And so if we have ever felt the wrong
Of Trampled rights, of caste, it matters not,
What e’er the soul has felt or suffered long,
Oh, heart! this one thing should not be forgot:
Christ washed the feet of Judas.

27 setembro 2007

Com um pé no Outono


As Mulheres do Meu Pai: para mim, o melhor livro de José Eduardo Agualusa (publicado este ano, na D. Quixote).

Como o Outono vai chegando pé-ante-pé e sem pressas, a nossa luz atlântico-mediterrânica continua a saber-me bem.

E o que têm a ver estas duas frases? A cópia de um excerto deste livro - sobre as nossas buscas e os sítios onde pomos os pés - que quero partilhar:

"Uma vez alguém perguntou ao escritor e jornalista polaco Ryszard Kapuscinski o que mais o impressionara em África. Kapuscinski não hesitou: «A luz!» É isto: onde uns vêem luz outros apenas distinguem sombras. Os que vêem sombras constroem muros para se protegerem. Tendem a ser fanáticos construtores de muros." (p. 112)

12 setembro 2007

Poema com pé


Pies hermosos


La mujer que tiene los pies hermosos

nunca podrá ser fea
mansa suele subirle la belleza
por totillos pantorrillas y muslos
demorarse en el pubis
que siempre ha estado más allá de todo canon
rodear el ombligo como a uno de esos timbres
que si se les presiona tocan para elisa
reivindicar los lúbricos pezones a la espera
entreabir los labios sin pronunciar saliva
y dejarse querer por los ojos espejo
la mujer que tiene los pies hermosos
sabe vagabundear por la tristeza.

Do uruguaio Mário Benedetti, poeta que conheci recentemente.

12 agosto 2007

Homenagem a Miguel Torga

Hoje comemora-se o centenário de Miguel Torga, que nos legou várias cartas, contos, novelas, ensaios, poemas... Para deixarmos aqui a nossa homenagem, copio o poema "Chuva de Estrelas", fenómeno que também marca o dia de hoje:
Chuva de Estrelas
Cadente inquetação no céu florido.
Assim quebra a seráfica harmonia
O barro incandescente que não pára.
Do paternal e constelada vara
Do divino pastor
Fogem massas de luz, ovelhas tresmalhadas.
Nem mesmo Deus, dulcíssimo Senhor,
Consegue auietar no seu amor
As forças da ilusão, manietadas!
P.S.: Eu queria um poema com pés, mas confesso que tive preguiça de procurar...

08 agosto 2007

Outro pé de poesia

Parece que há inúmeros poemas com pés. Obrigada por todas as sugestões para postarmos.
Este é um contributo do montanheiro:


Tus Pies

Cuando no puedo mirar tu cara

miro tus pies.

Tus pies de hueso arqueado,
tus pequeños pies duros.

Yo sé que te sostienen,
y que tu dulce peso
sobre ellos se levanta.

Tu cintura y tus pechos,
la duplicada púrpura de tus pezones,
la caja de tus ojos que recién han volado,
tu ancha boca de fruta,
tu cabellera roja,
pequeña torre mía.

Pero no amo tus pies
sino porque anduvieron
sobre la tierra y sobre
el viento y sobre el agua,
hasta que me encontraron.


O autor é o magistral Pablo Neruda, para mim um dos melhores poetas que a América Latina nos deu.

07 agosto 2007

Pé angolano

O escritor angolano Ondjaki já tem lugar cativo nas estantes de Mindinho e de Pézinho de Lã. Falta conquistar Big Foot... E como há um poema dele que tudo tem a ver com o nosso blog, tem de ser partilhado

Para pisar um chão com estrelas

imitando-me ao morcego
intimidei o dia a ser mais vertical.
assim o céu ganhou pés
a terra experimentou alturas.
apressas, pedi:
uma noite se antecipasse.
transfigurando conceitos
o palco do mundo vincava-se
de novas encenações.
estrelas chegaram.
lua teve dúvidas para posicionar-se.
encaminhando
andei sobre o céu sob meus pés.
assim revelei-me:
nunca é impossível
pisar um chão de estrelas.
...
logo-logo:
um grilo atirou-se a sorrisos.

Estes pés foram retirados do livro Há Prendizagens com o Xão (O Segredo Húmido da Lesma & Outras Descoisas).

11 julho 2007

Ainda por terras de África

Quem me conhece sabe que tenho a mania de ser engraçadita...
Isto era só a introdução para o que se segue: um dos escritores que mais leio é de Angola, nascido em Benguela, e com uma série de livros já publicados entre nós na Dom Quixote (passe a publicidade). Os seus romances são bons e lêem-se com muito prazer: Jaime Bunda, Agente Secreto, A Gloriosa Família, Lueji, Yaka, A Geração da Utopia, etc...
O seu nome? "Pé", "pé", "tela"!!

03 julho 2007

Meu Pé de Laranja Lima


Este é o título de um romance brasileiro vocacionado para um público infantil e juvenil, ainda que tristonho, escrito por José Mauro de Vasconcellos e publicado em 1968.

Nele lemos a história do “pequeno” (como agora está na moda dizer-se por aí…) Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa, com mãe operária, pai desempregado e uma série de filhos, que cuidavam uns dos outros.

Zezé era um rapazinho muito interessado pela vida, adorava saber e aprender coisas novas e, claro, bem traquinas, que lhe eram recompensadas com castigos e repreensões. Com falta do carinho de que precisava, Zezé acabou por encontrar no quintal da sua nova casa uma pequena árvore com a qual desabafava e conversava (onde pensam que a Floribela vai buscar inspiração?).

Segundo os críticos das literaturas, que andam sempre à cata de interpretações, é um romance que nos transmite algumas lições de vida, especialmente sobre as atitudes de todos nós, seres humanos, perante determinadas situações.

Confesso que li este livro quando tinha 8 ou 9 anos. E não achei grande piada. Se calhar era demasiado nova para compreender as ramificações da laranja lima. Mas fiquei-me com o pé!