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17 junho 2009

Em combustão


Será que é necessário escrever um número (quase) infinito (em cortes e cortes e cortes e condensações) de páginas para chegar a uma conclusão a que a sabedoria popular dá voz?
Explico: em Portugal diz-se "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem"; em Angola, a marcação é mais enfática: "Angola é Luanda e a capital é a Mutamba". O resto, logo se verá, nas tais páginas.

30 abril 2009

Pensament...

Dolça Catalunya...

03 março 2009

Desabafos

Os governos andam a ajudar os banqueiros. O governo angolano "procura ajudar sector diamantífero". Chega a todos. A crise, claro está. De valores?

07 fevereiro 2009

Vidas!

Em Luanda, com calor, vontade de chuva quente, em recordações de Neruda:
Evitemos a morte em doses suaves,recordando sempre que estar vivoexige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.Estejamos vivos,então!

22 janeiro 2009

Andaimes

O dia de hoje pareceram-me muitos. Plataformas de andaimes com funções. Pés sem se erguerem. Batimentos. Mãos a suster. Pés erguidos: daqui nasceu a vontade do post.

20 janeiro 2009

Finalmente te vejo...

Desde Dezembro que ouço falar em neve a cair em sítios que recebem frequentemente as minhas pegadas. Quando estou num, neva no outro. Quando estou no outro, neva num. Chegam as notícias, as palavras, as fotos da neve no jardim do meu irmão. Mas eu: nem vê-la! Pensei que iria sentir "la neu a caure" e só a vi reluzente nos Pirinéus.
Hoje foi o dia: os flocos derretem no chão e as mãos esticadas cá fora sentem o gelo.
Esta missão está cumprida, finalmente! Agora já estou mais preparada para o calor.

13 janeiro 2009

Doce Catalunha, amarga Palestina

Enquanto os meus pés estavam calmamente em Manlleu a ver a bola ou em Puig-L'Agulla a ver a neve, outros pés mais distraídos viram-se envolvidos na manifestação de Barcelona a favor da causa palestiniana (houve ainda outros pés conhecidos que foram voluntariamente a outra manifestação espanhola insular com o mesmo objectivo).
Veremos um fim a estes verdadeiros massacres, a esta vivência em estado de terror? Sem maniqueísmos: há dois lados deste conflitos, há várias razões em jogo e, como sempre, há mais do que uma história a ser contada.

07 dezembro 2008

Ainda a respeito do Ernesto Guevara

Não vi o documentário "Cuba, uma Odisseia Africana", de Jihan El Tahri. É mais um dos meus "pendurados" à espera de melhores (mais) tempos. Sei que ganhou um prémio no Festival Internacional de Cinema de Luanda, uma excelente iniciativa de Miguel Hurst e de uma boa equipa. É do conhecimento da história e de quem por ela se interessa que alguns países africanos, como Angola, foram decisivos no jogo da Guerra Fria. A bipolarização do mundo, com EUA e URSS à cabeça, marcou uma longa época e implicou que, por exemplo, Kuito Kanavale fosse um dos palcos em que as peças estavam ao rubro dos combates. Ao MPLA e UNITA teremos de juntar Cuba, EUA, África do Sul, em soldados e em armamento. E Jihan El Tahri mostra tudo isso.
Num post assim existe sempre um "mas...". E este mas lê-se na censura a que esse documentário foi sujeito e impedido de ser transmitido em Luanda (concretamente na Universidade Lusíada). E agora roubo palavras ao Soantes (http://soantes.blogspot.com): "Note-se que o filme apresenta uma versão dos acontecimentos (a invasão cubana de Angola) que não coincide com a oficial. A nova ministra da cultura desfez-se num chocante mar de contradições, ameaças e assunção velada de que estamos novamente perante uma ditadura no campo, precisamente, da Cultura. (...). a ministra denuncia-se também, afirmando categoricamente que, "pelas suas características" e "erros históricos", "esse filme NUNCA VAI SER POSTO A CIRCULAR". Para não nos assustarmos consegue juntar uma afirmação dessas ao seu desmentido: "isto não é uma censura", é só "uma forma de contrariar versões erradas da História". Pelo contrário, segundo a ministra, trata-se de uma questão de liberdade: "temos que ter o direito a aceitar essa visão ou não". Mas como podemos exercê-lo sem ver o documentário? Então ela esclarece: "não há intenção de retirar aos angolanos a possibilidade de assistir ao documentário". Como? Se ela mesma diz que não deixará circular o documentário, como podemos vê-lo? A liberdade é só a sua, de nos proibir o acesso à informação e à livre discussão cultural".
De tu querida presencia...

01 dezembro 2008

Sul-estício

“Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida
mas a poesia (inexplicável) da vida”
Hoje com Carlos Drummond de Andrade, em busca de suis. Palavra que soa feio em português, mas que podemos ler como em francês: condensando... Um eu a ser a sul!

21 novembro 2008

Pés de amor

The beauty of beautiful things is still able, in these image-saturated times, to transcend imitations...

Salman Rushdie, em Step Across this Line.

17 novembro 2008

Inspirações vindas de sul



Há um momento em que todos os obstáculos caem, todos os conflitos se afastam, e ocorrem-nos coisas que não tínhamos sonhado, e então não há nada na vida melhor do que escrever.
Gabriel García Márquez, em O Aroma da Goiaba...

31 outubro 2008

Para quem sabe voar

Uma frase bem definidora...
Voei tão alto, tão alto, que já não vejo o asfalto.
(sem ser uma escalada, de muito subir sem pé firme. É mesmo o voo).

08 outubro 2008

Escritas

Tem mesmo rumos que o destino impõe.
Resta pois fazer a mala e precipitar um remate.

Escreveu Ruy Duarte de Carvalho, em Desmedida...

07 outubro 2008

Pezinho de coentrada

Pezinho de porco de coentrada é um daqueles deliciosos (dizem os outros, porque eu nunca consegui comer) pratos típicos portugueses, vindo do nosso Alentejo. O cozido à portuguesa é outra iguaria muito nossa, muito lusa. Ups... A batata é um tubérculo que só chegou à Europa com as naus que a trouxeram do Novo Mundo. Afinal, há aqui uma manchinha de multiculturalidade que nos invade o estômago. E o coração, e a cabeça, seguindo Camilo Castelo Branco, esse nosso escritor.




O vizinho deste cartaz (quase a sair ou já saído) é o nosso muito querido Marquês de Pombal, considerado por muitos como o melhor primeiro-ministro deste longo e puro reino. Que heresia: afinal ele era neto de uma guineense. E que brilhante português!

30 setembro 2008

Neos e ismos

Tudo por causa da crise financeira que alastra pelas notícias, pelo mundo e etc., hoje debati o neo-liberalismo de uma forma que me fez compreender muitas coisas que ultrapassam a minha economopatia. Com um café a acompanhar soube muito melhor.

Foi aí que me disseram uma das frases mais bonitas que ouvi hoje (também porque a conversa se arrastou por pós-colonialismos, pós-modernismos e outros ismos que tais): "andamos num mundo que vive na espuma do mar em vez de mergulhar na profundidade".

22 setembro 2008

Pés que chegam

Na vida tudo é mudança, já dizia o nosso Camões num dos seus mais conhecidos sonetos. Olá, Outono! Bem-vindo! Mais um ciclo que inicia e se adivinha muito bom.
Outras mudanças: parece que Zuma e Mbeki andam de candeias totalmente às avessas e mais uma mudança se adivinha na África do Sul. E outra em Israel. Este mundo não pára. E não pára de surpreender. Mas viva sempre o espírito positivo!
Permanecerá o essencial com tamanha rotatividade?

19 setembro 2008

Pé rico, pé pobre

No Diário Económico de hoje lê-se esta frase de João Paulo Guerra:
"Portugal, país do primeiro mundo rico, tem hoje dois milhões de habitantes que necessitam de ajuda alimentar. Com a persistência da política anti-social, mitigada por esmolas, daqui por uns anos terá três milhões."
Assustador. Ainda para mais porque tenho sérias dúvidas se Portugal será um país do "primeiro mundo rico". O que torna a previsão ainda mais preocupante.

09 setembro 2008

Mais surpresas neste mundo

Resolvi fazer um post com algumas das interrogações que me invadiram nos últimos tempos por causa de notícias variadas, da vida política, da vida escolar e da ciência (exacta, pois claro...).
A ciência (exacta, repito): cientistas descobriram que os homens têm um gene ou uma variação genética que os impede de ser monogâmicos. Então e as mulheres? Não terão igualmente uma justificação criteriosa e científica para a impossibilidade de se manterem fiéis a um parceiro? Nem vou adiantar-me em considerações de índole social e de convenções impostas em determinados lugares, ou invocar estudos em animais de laboratório para justificar estas conclusões, porque há fêmeas de espécies de bichinhos que são poligâmicas... Discriminação com base no género?
Vamos a outra: hoje sabemos que as taxas de repetição de ano nas escolas portuguesas é a mais baixa da última década! Uau! É muito bom visto assim. Mas quem sabe do que se passa nas escolas e das exigências em passar os alunos, pode ficar preocupado. Eu estou apenas com um ponto de interrogação.
Por fim, a minha querida Angola. "A Vitória É Certa": já o MPLA proclamava aquando da luta de libertação. Eu previa que o MPLA ganhasse as eleições que decorreram no passado dia 5 (e 6 em algumas assembleias), mas confesso a minha surpresa ao ver que foi por uma margem tão grande. Este é o ponto de interrogação mais pequeno deste post, porque acredito com firmeza num futuro sorridente!

20 março 2008

Eles andem aí...

Três acontecimentos desta semana levaram-me a pensar que nós estamos a ser constantemente vigiados. Não é um pensamento inédito, até porque todos conhecemos os diversos mecanismos que podem tornar o nosso cantinho em quase big brothers orsonianos (ou wellianos)...
1) Telefonei a um amigo que tinha o telefone desligado. Horas depois, a TMN decidiu mandar uma mensagem a informar que eu já poderia telefonar!! E a nossa privacidade?
2) Hoje, eu e mindinho almoçámos num estabelecimento que serve pães-redondos-grandes-com-bons-ingredientes-por-cima, com a devida supervisão de algum inspector (desconfiámos que era da ASAE, os suspeitos do costume), que vasculhou tudo.
3) Em conversa no msn, um dos meus contactos, que agora trabalha na separação da correspondência nuns quaisquer CTT de Lisboa, disse-me que ontem viu uma carta para o meu pai, vinda do estrangeiro de fora!
Andarão eles aí?

10 março 2008

Palavras para partilhar

Um pensamento, com o qual não concordo muito, aliás, mas que se pode aplicar a várias situações (via Jurelmo):

Só se dá valor ao açúcar depois de se provar cloroquina.


Uma adivinha (via Hernâni):

Como se faz uma omeleta de chocolate?


Alguém se atreve a uma resposta?

(Já agora, descobri que, correctamente, se escreve omeleta e não omelete!)